O
sonho de todo dependente químico que atinge um ponto onde abandonar o
uso das drogas e álcool tornou-se uma necessidade é retomar a primeira
fase de sua adicção ativa. Nesta fase era possível obter o prazer da
descoberta de um novo estado de liberdade, sem sofrer severas
conseqüências. Tudo era novo, gostoso e colorido.
Essa
tentativa muitas vezes perseguida arduamente tem levado dependente à
loucura e à morte. Buscam incessantemente o controle no uso, porque
sabem que se isso não ocorrer só restará render-se e render-se significa
derrota, tudo que não desejamos na vida. Ser derrotado significa
perder.
A
doença da dependência química tem uma característica fundamental que é a
negação, a negação que não permite ao dependente perceber e aceitar
todas as perdas que ele já sofreu e continua sofrendo enquanto permanece
na ativa. Podemos iniciar esta lista com uma perda extremamente
significativa que é o poder de decidir sua própria vida.
A
liberdade de escolha lhe é totalmente retirada, e isso é fruto da
progressão da doença. A partir daí inúmeras outras perdas podem ser
relacionadas. As oportunidades de aproveitar as chances de crescimento
emocional, intelectual, social, profissional e material tornam-se tão
escassas que viver uma vida sedentária e até marginalizada são
resultados do descontrole característico da dependência química.
A
recuperação a fruto da abstinência completa do uso de substancias
psicoativas (drogas) somada as mudanças no seu estilo de vida. Usando
desta “fórmula” é possível gradativamente ir retomando o controle de sua
vida (exceto quanto ao uso de álcool e drogas) e frear as perdas
resultantes da doença. O dependente químico deveria ser rigorosamente
honesto consigo próprio para perceber que este ciclo vem se repetindo há
tempos e que enquanto não for rompidos somente um final triste e
enlouquecedor estará assegurado em sua vida. Este é o ultimo tópico da
lista, a perda da própria vida.
Tentamos
encontrar a liberdade através das drogas e do álcool, acabou por
tornar-se escravo. Não é valido no processo de recuperação viver
lamentando-se de tudo que perdeu, esse tipo de comportamento só faz
crescer a culpa e a autopiedade que para os dependentes químicos também
são drogas que os levam ao inferno da adicção.
Não
importa o que foi perdido, afinal nada poderia ser feito para frear
esse descontrole; mas no momento em que procurou ajuda e a recebeu,
tornou-se então possível romper esse ciclo. Cabe agora aceitar a doença e
as suas conseqüências, responsabilizando-se por sua própria vida e
recuperação e procurando meios de conduzir-se de uma maneira mais segura
rumo ao crescimento necessário para a obtenção da liberdade da
escravidão que a dependência química causou. Talvez não possamos nunca
obter total controle sobre nossas vidas, mas é possível controlarmos o
dia de hoje.


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